História

UM COMEÇO

Não é fácil saber por onde começar a contar uma história. Em relação a Caiçara poderíamos começar pela pré-história já que no passado foram encontrados fósseis em lagoas da região. Poderíamos também mergulhar nos mistérios que rondam as pinturas rupestres encontradas no Sítio Girau e na Pedra do Bico, mas optamos por começar acompanhando a História do Brasil, ou seja, pelos índios.

Caiçara está numa região que era chamada pelos indígenas de Cupaóba. Eram os Potiguaras que a habitavam e o Rio Curimataú era a divisa com a terra dos índios Tapuias. Os primeiros contatos com o branco não foram com os portugueses e sim com piratas franceses. Assim, quando quiseram impor seu domínio os portugueses tiveram dificuldades: a região era de difícil acesso devido suas serras, os índios eram valentes e estavam aliados aos franceses que os armavam. Foram 25 anos de guerras (1574 a 1599), as chamadas Guerras da Cupaóba.

Dominados os indígenas, veio a catequese pelos padres jesuítas e a distribuição de sesmarias (grandes porções de terras) para que os portugueses ocupassem e explorassem a área. Assim, em 1619, Raphael de Carvalho obteve a sesmaria de nº 13 da Capitania da Paraíba, que abrangia a área onde fica Caiçara. Pelo acesso a água, ele, ou um dos seus, pode ter sido o primeiro morador do local.

Em meados do século XVII, a distribuição de sesmarias foi interrompida devido às invasões holandesas e a revolta dos índios Cariris, dos quais faziam parte os Tapuias. No século XVIII, as terras continuaram a ser distribuídas e divididas. A região foi sendo cada vez mais destinada à criação de gado e o vaqueiro teve papel importante no desbravamento da região.

FUNDAÇÃO E EMANCIPAÇÃO

Em 1822, Manoel Soares da Costa, com sua família e a de seu cunhado José Vicente vieram para a região e construíram suas casas de morada, uma capela e os currais de pau-a-pique. Foi a fundação de Caiçara. Com os currais e as primeiras casas surgindo, o local começou a ser passagem de almocreves e tropeiros que vinham com suas tropas de burros de feiras como a de Mamanguape e de Guarabira, em direção a de Anta Esfolada(antigo nome de Nova Cruz). Essa estada em Caiçara se dava aos domingos, já que a feira de Anta Esfolada era na segunda. O movimento dos almocreves começou a atrair pessoas para residir no local, assim, além da vantagem de morar perto do rio, elas poderiam comprar bem mais baratos que nos barracões dos engenhos da Serra da Raiz. Isso não agradava aos donos dos engenhos.

Anos depois, tendo em vista o aumento do movimento de tropeiros e aumento da população, surgiu a ideia de realizar uma feira aos domingos. Devido ao prejuízo que a feira lhes traria, os senhores de engenho da Serra foram contra. Porém, Manoel Soares insistiu. Ao se agendar uma data para a 1ª feira, vieram as ameaças, piquetes foram colocados nas estradas e o “Major Costa”, líder da Serra da Raiz, preparou força armada para acabar com a feira.

Diante das ameaças dos serranos, Manoel Soares, por intermédio do Coronel José Lucas de Souza Rangel, levou as ocorrências ao conhecimento do Governo Provincial, que enviou tropa da Guarda Estadual para dar garantia. Foi assim que a feira de Caiçara teve sua origem em 1841. A presença de um político influente como o Coronel José Lucas, despertou nas lideranças da cidade o sonho de ficar independente de Serra da Raiz. Porém, a política da localidade começou mesmo com a chegada de Francisco da Costa Gonçalves, parente tanto de Manoel Soares quanto do “Major Costa”, e começou com a disputa com Serra da Raiz.

Na Serra o poderio econômico e político estava nas mãos dos senhores de engenho. O Major Costa faleceu em 1866 e deixou seus bens para um genro, o “Tenente Cazuza”. Porém, “Antonio Imburana”, irmão do Major, foi contra este testamento. Veio a confusão e a família acabou se dividindo. Em 1877, morre Imburana e o Tenente Cazuza assume a chefia da Serra, apoiando as ações do seu irmão, o Padre Emygdio Fernandes. A política da Serra então ficou dividida entre os Fernandes e os Costa. Com a rixa entre as famílias, a facção de Imburana passou a apoiar a emancipação de Caiçara.

Em Caiçara, falecidos os primeiros líderes, Manoel Soares e Francisco da Costa, seus filhos José Soares de Carvalho e Manoel da Costa Queiroz assumiram as chefias dos partidos Liberal e Conservador, surgindo assim os primeiros grupos políticos de Caiçara, com os “Soares” como Liberais e os “Queiroz” como Conservadores.

Em 1870, deu-se a criação da Freguesia de N. S. do Bom Fim, com sede na Serra, uma grande conquista dos serranos. Em 19/10/1883 o deputado e coronel Antonio José da Costa Maia apresentou projeto de emancipação de Caiçara que acabou sendo convertido na Lei nº 756, de 06/12/1883(foi esse centenário que a cidade comemorou em 1983). A iniciativa para a criação do município teve a frente Joaquim José Soares de Carvalho, filho do fundador Manoel Soares. Por esta lei a Serra da Raiz ficava como distrito de Caiçara.

A reação dos serranos foi imediata e um fator passou a favorecer-lhes, houve renovação da bancada na Assembleia do Estado e a maioria parlamentar passou a ser dos Conservadores, apoiados naquela localidade. Assim, o Padre Emygdio Fernandes, deputado e líder político da Serra da Raiz, conseguiu a transferência da sede do município para Serra da Raiz em 02/10/1884. Dando sequência as mudanças, a Lei nº 8 de 15/12/1892, colocou tanto Serra da Raiz como Caiçara como pertencentes à Guarabira.

No começo dos anos 1900 novas lideranças foram surgindo, entre elas Antonio Florentino da Costa Miranda(Cel. Tota Miranda), Antonio Soares de Oliveira, Joaquim de Paula Carvalho, Miguel Pedro da Silva e outros. Com a sua habilidade, Tota Miranda apaziguou os ânimos com as lideranças da Serra da Raiz e em 07 de novembro de 1908, foi sancionada a Lei nº 309, emancipando Caiçara definitivamente.

O NOME

“Caiçara” é, a princípio, denominação de certo tipo de cerca indígena. Porém, é também um tipo decercado de madeira à margem de rio para embarque do gado. Provavelmente, foi esse significado que fez com que os tropeiros passassem a chamar os currais construídos por Manoel Soares de “Caiçaras” e o nome acabou passando para o vilarejo que ia surgindo. Ressalte-se que a cidade sempre teve esse nome. Houve uma sugestão, provavelmente do Padre Ibiapina, por volta de 1870, para que o nome mudasse para Marianópolis, mas a população não aceitou. O padre era realmente dado a sugerir nomes: para Gengibre sugeriu Belém; para Serra da Raiz, Jerusalém; e para Anta Esfolada, Nova Cruz.

POLÍTICA

Na história política, estamos no 36º mandato exercidos por 29 prefeitos diferentes, de “Tota Miranda” a Cícero Francisco. No começo eles eram nomeados, não havia vereadores e sim Conselheiros. Tudo funcionava no antigo “Prédio do Conselho”. Só em 1935 pode-se votar e o 1º prefeito eleito foi Francisco José da Costa, o “Costinha”. Esse privilégio durou pouco pois com o golpe do Estado Novo(1937), as nomeações voltaram e as eleições só ocorreram a partir de 1947, quando foi eleito Francisco Carneiro(“Chicó Marinheiro”). Até 1963 votava-se em separado para vice-prefeito e foi na eleição desse ano foi eleita a 1ª mulher para a Câmara de Vereadores, Maria Soares. Teve o tempo das sub-legendas, quando havia duas e até três candidaturas de um mesmo partido. Muita coisa rolou até a chegada da urna eletrônica.

O poder mudou muito de mãos nesses mais de cem anos de história, porém esteve quase sempre entre poucas famílias. Havia o grupo liderado pelo Coronel Tota Miranda, que passou a ser adversário do Major Carlos Espínola e, em seguida do Coronel Nô Lima. Depois da Revolução de 1930, Severino Ismael de Oliveira, apoiado pelos “Mirandas” e os “Costas” dentre outros, assumiu a liderança política do município e despontou como principal rival de Nô Lima. No começo dos anos 40, com mudanças no poder estadual o bloco de Nô Lima, agora encabeçado por seus filhos e por José Paulino de Carvalho, dentre outros, voltou ao poder, tendo o Dr. Haroldo Espínola como prefeito. Com a redemocratização(1945), velhos rivais se uniram apoiando o governo de José Américo, os “Mirandas”, os “Limas” e agora também os “Alves” ficaram do mesmo lado, tendo como adversário o grupo liderado por Severino Ismael e Francisco Carneiro, nesse período os prefeitos foram o próprio Severino Ismael, Francisco Carneiro, Alberto Costa e Severino Costa. Até 1959, o poder esteve nas mãos dos “Ismaelenses”, foi o auge do poder de Severino Ismael, eleito deputado pela 1ª vez em 1947 e reeleito por mais 4 vezes, era o grande líder da região, chegando a ser também presidente da LBA na Paraíba e delegado do IAPETEC. Aliás, de 1962 a 1967, Caiçara contou com dois deputados estaduais: Severino Ismael e Amélio Leite. Na eleição ocorrida em 1959, a mais acirrada da história até 2012, o poder passou para os “Alves” com a vitória de Antonio Alves de Carvalho e continuou com José Cruz Neto e Luiz Alves. Nos anos 70, a disputa se polarizou entre os “Alves”(MDB) e os “Neves” e “Carneiros”(ARENA). Em 1972, foi a vez dos Neves chegarem à prefeitura com José Antonio Neves(“Deca”) . Em 1977, os Alves voltaram com Antonio Alves Sobrinho. Na eleição de 1982 se consagrou o nome de Pedro Alves de Menezes, sem pertencer as famílias rivais, porém apoiado pelos “Carneiros” e pelos “Neves”. À Pedro Alves se seguiu George Neves e depois o próprio Pedro voltou. O grupo deteve o poder até 1996, quando os “Alves” retomaram a liderança com Luiz Alves(1997 a 2004) e Hugo Alves(2005 a 2012). A última eleição foi a mais acirrada da história com a vitória de Cícero Francisco(PSB) por apenas 1(um) voto sobre o candidato “Bola”(PMDB).

CONSTRUINDO UMA CIDADE

Em relação ao crescimento da cidade, podemos dizer que Caiçara foi uma cidade que diminuiu enquanto crescia, ou seja, enquanto perdia seus distritos a sua zona urbana se ampliava. As emancipações foram polêmicas, a maior liderança política, o deputado Severino Ismael de Oliveira, foi contra todas elas, já que Caiçara perderia território e verbas (enquanto ele perderia votos). Mas não teve jeito, perdemos Belém em 1957; Serra da Raiz em 1959(levando junto Duas Estradas e Sertãozinho), Lagoa de Dentro em 1960 e, por fim, Logradouro em 1994.

Por outro lado, grandes mudanças aconteceram nas vias urbanas. A Caiçara emancipada de 1908 tinha cerca de 130 casas e o principal prédio era o sobrado onde morava o 1º prefeito. A via principal era a Rua do Comércio(atual João Pessoa) e nela foram construídos o Grupo João Soares, o Conselho Municipal(antiga prefeitura) e a cadeia. Tinha mais três ruas: Rua Nova(começo da atual Pref. Antonio Miranda, partindo do lado da igreja) , Quebra-Quilos e Fala-Baixinho, todas sem calçamento. O povoamento na parte de trás da igreja fez surgir a Rua da Aurora. As terras por trás da Rua do Comércio pertenciam ao Tenente Marculino(filho de Manoel Soares).

Em 1931, veio o meio-fio da Rua do Comércio(que passou a se chamar Rua João Pessoa), a construção de um coreto no meio dela e a desativação do antigo cemitério. No final dos anos 30, começou a ser incentivado o crescimento para a chamada “Cidade Alta”, impulsionado pela construção do mercado e a transferência da feira. Depois, nos anos 40 veio o posto médico, o Fórum(onde hoje é o CRAS), o Posto de Puericultura(atual Secretaria de Saúde). Avenidas foram abertas na “Cidade Alta”, como também a “Rua da Lagoa”, e o comércio foi migrando para a parte superior.

No começo dos anos 50 a própria prefeitura foi transferida para a Cidade Alta(no local onde era um posto, que passou para o outro lado da rua), uma praça foi construída onde era o cemitério e foi instalada a Indústria Carneiro ao lado do mercado, a movimentação foi intensificada e novas ruas foram surgindo, como a Júlio Henrique. O final dos anos 50 viu surgir o atual “Grupo João Soares”, foi aberta a Rua Tenente Marculino, veio a Praça do Rosário(ao lado da igreja) e uma ampla reforma foi feita na Rua João Pessoa com calçamento e construção da Praça João Pessoa, infelizmente, o coreto foi sacrificado.

Já no começo dos anos 60 teve a construção da Praça José Epaminondas (atrás da Igreja), que por um bom tempo teve um lago no seu centro, foram feitas as balaustradas ligando a João Pessoa à Rua da Aurora, veio o prédio do Ginásio Comercial(onde hoje é o fórum). Nos anos 70 tivemos, entre outras obras, o estádio Francisco Carneiro e a Praça Dois Antônios.

Iniciamos a década de 80 com a construção da quadra de espostes “Everaldo Costa”, do Grupo Escolar João Alves e do Colégio Estadual. Em seguida, tivemos o 2º bloco do mercado público, a Secretaria de Educação, o Centro Social, o Banco do Brasil, o Banco Paraiban, a creche, o conjunto “Severino Ismael de Oliveira”(apelidado de “Avilan”) e o Pré-escolar “Tio Patinhas”.

Nos anos 90 vieram o terminal rodoviário, a arborização com os pés de castanholas, o fórum atual, Praça da Leitura e a Vila Santo Antonio(onde era o antigo “açude do depósito” e tinha virado um “lixão”), praças no Fala-baixinho, na Epitácio Pessoa e na Gov. José Américo, conjunto “Antonio Mariz”, o “outro lado” da Rua Quebra-quilos, veio a Capela Santa Clara, o pré-escolar Joana Alves, o “Calçadão”, o Centro Cultural e o “Esperança Caiçara Hotel”.

Depois de 2000 o crescimento continuou e as principais obras foram o hospital e maternidade Nsa. Sra. do Rosário, a escola Mª Eudésia, o Centro Comercial (onde era o Paraiban), a praça Waldemir Miranda, o nosso 1º bairro, chamado de Nsa. Sra. do Rosário, o ginásio de esportes e o conjunto “Dom Epaminondas”.

POLÍTICA

Na história política, estamos no 36º mandato exercidos por 29 prefeitos diferentes, de “Tota Miranda” a Cícero Francisco. No começo eles eram nomeados, não havia vereadores e sim Conselheiros. Tudo funcionava no antigo “Prédio do Conselho”. Só em 1935 pode-se votar e o 1º prefeito eleito foi Francisco José da Costa, o “Costinha”. Esse privilégio durou pouco pois com o golpe do Estado Novo(1937), as nomeações voltaram e as eleições só ocorreram a partir de 1947, quando foi eleito Francisco Carneiro (“Chicó Marinheiro”). Até 1963 votava-se em separado para vice-prefeito e foi na eleição desse ano foi eleita a 1ª mulher para a Câmara de Vereadores, Maria Soares. Teve o tempo das sub-legendas, quando havia duas e até três candidaturas de um mesmo partido. Muita coisa rolou até a chegada da urna eletrônica.

O poder mudou muito de mãos nesses mais de cem anos de história, porém esteve quase sempre entre poucas famílias. Havia o grupo liderado pelo Coronel Tota Miranda, que passou a ser adversário do Major Carlos Espínola e, em seguida do Coronel Nô Lima. Depois da Revolução de 1930, Severino Ismael de Oliveira, apoiado pelos “Mirandas” e os “Costas” dentre outros, assumiu a liderança política do município e despontou como principal rival de Nô Lima. No começo dos anos 40, com mudanças no poder estadual o bloco de Nô Lima, agora encabeçado por seus filhos e por José Paulino de Carvalho, dentre outros, voltou ao poder, tendo o Dr. Haroldo Espínola como prefeito. Com a redemocratização(1945), velhos rivais se uniram apoiando o governo de José Américo, os “Mirandas”, os “Limas” e agora também os “Alves” ficaram do mesmo lado, tendo como adversário o grupo liderado por Severino Ismael e Francisco Carneiro, nesse período os prefeitos foram o próprio Severino Ismael, Francisco Carneiro, Alberto Costa e Severino Costa. Até 1959, o poder esteve nas mãos dos “Ismaelenses”, foi o auge do poder de Severino Ismael, eleito deputado pela 1ª vez em 1947 e reeleito por mais 4 vezes, era o grande líder da região, chegando a ser também presidente da LBA na Paraíba e delegado do IAPETEC. Aliás, de 1962 a 1967, Caiçara contou com dois deputados estaduais: Severino Ismael e Amélio Leite. Na eleição ocorrida em 1959, a mais acirrada da história até 2012, o poder passou para os “Alves” com a vitória de Antonio Alves de Carvalho e continuou com José Cruz Neto e Luiz Alves. Nos anos 70, a disputa se polarizou entre os “Alves”(MDB) e os “Neves” e “Carneiros”(ARENA). Em 1972, foi a vez dos Neves chegarem à prefeitura com José Antonio Neves(“Deca”) . Em 1977, os Alves voltaram com Antonio Alves Sobrinho. Na eleição de 1982 se consagrou o nome de Pedro Alves de Menezes, sem pertencer as famílias rivais, porém apoiado pelos “Carneiros” e pelos “Neves”. À Pedro Alves se seguiu George Neves e depois o próprio Pedro voltou. O grupo deteve o poder até 1996, quando os “Alves” retomaram a liderança com Luiz Alves(1997 a 2004) e Hugo Alves(2005 a 2012). A última eleição foi a mais acirrada da história com a vitória de Cícero Francisco(PSB) por apenas 1(um) voto sobre o candidato “Bola”(PMDB).

RELIGIÃO

A cidade sempre foi religiosa e o catolicismo sempre foi predominante desde a capela edificada no mesmo local onde hoje é a matriz da padroeira Nsa. Sra. do Rosário à chegada da imagem da mesma vinda de Portugal em 1872, que deu origem a nossa mais tradicional festa, a Festa de Santos Reis, que, no começo, chegou a perdurar durante todas as nove noites do novenário. Caiçara não esquece seus padres, desde os primeiros, Aprígio, Antonio Trigueiro e Epitácio ao atual Padre Germano. Não esquece das tradições da Semana Santa, dos terços rezados no mês de maio, das lapinhas, das irmãs que, lideradas por Irmã Cristiane, iniciaram em 1982 a Festa da Colheita e organizaram a comunidade católica. A igreja hoje conta com várias comunidades e grupos organizados como o Terço dos Homens, ECC, EJC e outros. Todas as outras religiões também foram bem-vindas como os protestantes, Kardecistas, adeptos do Candomblé e outros. Grandes religiosos nasceram em Caiçara como os padres Francisco Lima(respeitado historiador), João Batista e um dos filhos mais ilustres, o bispo Dom Epaminondas.

ASPECTOS DA MODERNIDADE (TRANSPORTE, ENERGIA ELÉTRICA, ACESSO A ÁGUA, ETC.)

A modernidade chegou de trem. Quatro anos antes da emancipação, uma estação foi instalada em Logradouro e tudo passou a girar em torno do trem. Foram marcantes as viagens no chamado “Bacurau”, que passava às 4 da manhã para a capital e voltava às 7 da noite, bem como o “PN” que passava algumas vezes por semana. Os trens de passageiros pararam nos anos 70 e em 1999 a linha foi desativada de vez. Vieram os “Mistos”(meio ônibus, meio caminhão) e as chamadas “Sopas”, espécies de ônibus adaptados que se podia entrar por várias portas. O trajeto para Belém era por Serrinha. Os trajetos mudaram, até que em 1994 veio a pista Logradouro-Belém e multiplicaram-se os taxistas. Porém o progresso espera ansioso o trecho Logradouro-Nova Cruz, atualmente em obras.

Também não dá para caminhar para a modernidade sem energia elétrica e água encanada. A Caiçara de 1908 tinha suas ruas iluminadas por tochas. Pouco depois as tochas foram substituídas por lampiões e, em 1928, veio o 1º motor de energia, que funcionava apenas das 6 às 9 da noite(depois passou para as 10) e dava 3 sinais antes de apagar de vez. Em 1948, o motor que ficava na Rua da Aurora foi substituído por um mais moderno que funcionava onde hoje é o nosso hospital. Até que em 1965 veio a energia elétrica da Usina de Paulo Afonso. Com a eletricidade vieram as novidades como a televisão(a 1ª chegou no começo dos anos 60). Vieram as comunicações, desde os antigos radiodifusoras até a atual rádio comunitária FM Cidade Marquesa.

Ao falar de água temos de lembrar do Rio Curimataú, afinal Caiçara só está onde está por causa dele. Foi o rio quem supriu as necessidades dos antigos moradores e até dos recentes em tempos de seca. Houve também grandes cheias como as de 1924, 1964, 1984 e 2004. Porém ficarão gravados para sempre na memória os banhos que foram o lazer predileto de várias gerações, os saltos-soltos na Cajarana, uma nostalgia muito bem registrada na canção “Águas do Curimataú”, de Zé Carlos.

A Lagoa, no entanto, sempre foi o principal reservatório, escavada na rocha pelo fundador Manoel Soares, foi ampliada várias vezes. A lagoa hoje mudou, virou o “Parque da Lagoa Tenente Marcolino”, que precisa ser revitalizado. Porém quando a seca apertava mesmo, o jeito eram as cacimbas no rio e os carregadores que traziam água em lombos de burros. Para amenizar, houve o tempo do “Chafariz”, um grande tanque construído na base do lajedo da Rua da Areia, que era abastecido por carros-pipa. Até que em meados dos anos 60 chegou a esperada água encanada.

ECONOMIA

Caiçara conheceu períodos de fartura com sua agricultura se destacando estadualmente nas produções de algodão, aguardente, “fumo de rolo”, farinha, feijão, batata-doce e, depois, o sisal. Para apoiar os agricultores, foi instalado aqui Posto do Fomento Agrícola Federal e, posteriormente a ANCAR(atual EMATER). Baseado nessas culturas, principalmente no algodão, o comércio proliferou muito, principalmente de 1910 a 1935, antes da instalação da usina em Logradouro, pois os comerciantes eram também compradores do algodão e o dinheiro ficava na cidade. Nesse período havia mais de trinta casas de comércio aqui na vila e setenta em todo o município. Havia uma grande feira realizada na frente da igreja que ia até o muro do cemitério (atual João Alves).

Com o algodão também veio a indústria através da multinacional Anderson Clayton & Cia, que se instalou em Logradouro em 1935, e era chamada de “Americana”. Ela favoreceu a produção ao garantir a compra de toda a safra de algodão aos agricultores, porém os frutos do “ouro branco” não ficavam mais em Caiçara. Em 1950 instalou-se em Caiçara a indústria “Carneiro & Cia” que também beneficiava algodão.

A fartura, porém não perdurou, o algodão passou a cair de preço devido à concorrência com outros mercados e veio o tempo do sisal(agave) e, nos anos 50, Caiçara volta a experimentar os tempos de prosperidade produzindo quase 4 milhões de quilos de agave, a maior produção da Paraíba, a Usina Carneiro passou a beneficiar o produto e chegou a empregar quase 600 pessoas, muitos proprietários tinham motores manuais, praticamente não havia desemprego. Porém, o sisal entrou em decadência com a utilização da fibra sintética(náilon) e o algodão que era a 2ª fonte de renda passou a sofrer com a praga do bicudo.

Por fim, a partir dos anos 60, Caiçara passou a sofrer com a partida de seus filhos buscando meios de vida nos grandes centros do país e a zona rural também foi ficando cada vez menos povoada. A agricultura não traz prosperidade, não surgiram outras fontes de renda e a população depende, principalmente, da prefeitura, de aposentadorias, programas sociais e do comércio. Almeja-se a vinda do asfalto, a instalação de alguma indústria, e outros sonhos pelos quais os caiçarenses devem lutar. Cobrando das autoridades e também fazendo sua para que a cidade tenha um futuro repleto de realizações.

(Material cedido pelo Professor Jocelino Tomaz)

Aspectos gerais

Geografia

Relevo
O município de Caiçara localiza-se na unidade geoambiental da Depressão Sertaneja, que representa a paisagem típica do semiárido nordestino. Consiste em um pediplano monótono, com relevo suave e ondulado, com vales estreitos e vertentes dissecadas.

Clima
O município está incluído na área geográfica de abrangência do semiárido brasileiro, definida pelo Ministério da Integração Nacional em 2005.[11] Esta delimitação tem como critérios o índice pluviométrico, o índice de aridez e o risco de seca. A precipitação média anual é de 431,8mm. O período chuvoso se inicia em novembro com término em abril.

Vegetação
A vegetação nativa consiste em Caatinga Hiperxerófila com trechos de Floresta Caducifólia.

Hidrografia
O município está nos domínios da bacia hidrográfica do Rio Curimataú. Os principais cursos d’ água são os rios Curimataú, Pirari e Pitomba e riachos Bueiro, Catolé, do Luís e Massara, todos de regime intermitente. Os principais corpos de acumulação são as lagoas da Espera e do Cachorro.

 

HINO DO MUNICÍPIO
Letra: Severino Ismael da Costa
Música: Joaquim Pereira

Entre o luso, o tapuia e o tupi
A centúria de guerras cruentas
São apenas lembranças aqui
Dentre séculos de paz que levantas.
ESTRIBILHO
Numa prece de amor que rezaste
Óh! caiçara ordeira e gentil
Da cupaoba as fraldas doaste
Á paraíba heroica e viril
Um presente de deus que entregaste
Ao progresso da pátria brasil
Da conquista os marcos conservas
Entre as trilhas do bravo gentio
E caminhos tropeiros preservas
A banhar-se nas águas do rio
Da riqueza agro e pastoril
De um povo bravo e hospitaleiro
O teu nome traduz qual buril
No curral que abrigou o tropeiro
Marianopólis é o nome que a fé
Nos brindou para nossa alegria
E que todos de joelho ou de pé
Rendem graças a virgem Maria.