Caiçara 110 anos de Emancipação Politica

FUNDAÇÃO e EMANCIPAÇÃO POLITICA DE CAIÇARA

Em 1822, Manoel Soares da Costa, com sua família e a de seu cunhado José Vicente vieram para a região e construíram suas casas de morada, uma capela e os currais de pau-a- pique. Foi a fundação de Caiçara. Com os currais e as primeiras casas surgindo, o local começou a ser passagem de almocreves e tropeiros que vinham com suas tropas de burros de feiras como a de Mamanguape e de Guarabira, em direção a de Anta Esfolada (antigo nome de Nova Cruz). Essa estada em Caiçara se dava aos domingos, já que a feira de Anta Esfolada era na segunda. O movimento dos almocreves começou a atrair pessoas para residir no local, assim, além da vantagem de morar perto do rio, elas poderiam comprar bem mais baratos que nos barracões dos engenhos da Serra da Raiz. Isso não agradava aos donos dos engenhos. Anos depois, tendo em vista o aumento do movimento de tropeiros e aumento da população, surgiu a ideia de realizar uma feira aos domingos. Devido ao prejuízo que a feira lhes traria os senhores de engenho da Serra foram contra. Porém, Manoel Soares insistiu. Ao se agendar uma data para a 1ª feira, vieram as ameaças, piquetes foram colocados nas estradas e o “Major Costa”, líder da Serra da Raiz, preparou força armada para acabar com a feira. Diante das ameaças dos serranos, Manoel Soares, por intermédio do Coronel José Lucas de Souza Rangel, levou as ocorrências ao conhecimento do Governo Provincial, que enviou tropa da Guarda Estadual para dar garantia. Foi assim que a feira de Caiçara teve sua origem em 1841. A presença de um político influente como o Coronel José Lucas, despertou nas lideranças da cidade o sonho de ficar independente de Serra da Raiz. Porém, a política da localidade começou mesmo com a chegada de Francisco da Costa Gonçalves, parente tanto de Manoel Soares quanto do “Major Costa”, e começou com a disputa com Serra da Raiz. Na Serra o poderio econômico e político estava nas mãos dos senhores de engenho. O Major Costa faleceu em 1866 e deixou seus bens para um genro, o “Tenente Cazuza”. Porém, “Antonio Imburana”, irmão do Major, foi contra este testamento. Veio a confusão e a família acabou se dividindo. Em 1877, morre Imburana e o Tenente Cazuza assume a chefia da Serra, apoiando as ações do seu irmão, o Padre Emygdio Fernandes. A política da Serra então ficou dividida entre os Fernandes e os Costa. Com a rixa entre as famílias, a facção de Imburana passou a apoiar a emancipação de Caiçara. Em Caiçara, falecidos os primeiros líderes, Manoel Soares e Francisco da Costa, seus filhos José Soares de Carvalho e Manoel da Costa Queiroz assumiram as chefias dos partidos Liberal e Conservador, surgindo assim os primeiros grupos políticos de Caiçara, com os “Soares” como Liberais e os “Queiroz” como Conservadores. Em 1870, deu-se a criação da Freguesia de N. S. do Bom Fim, com sede na Serra, uma grande conquista dos serranos. Em 19/10/1883 o deputado e coronel Antonio José da Costa Maia apresentou projeto de emancipação de Caiçara que acabou sendo convertido na Lei nº 756, de 06/12/1883(foi esse centenário que a cidade comemorou em 1983). A iniciativa para a criação do município teve a frente Joaquim José Soares de Carvalho, filho do fundador Manoel Soares. Por esta lei a Serra da Raiz ficava como distrito de Caiçara. A reação dos serranos foi imediata e um fator passou a favorecer-lhes, houve renovação da bancada na Assembleia do Estado e a maioria parlamentar passou a ser dos Conservadores, apoiados naquela localidade. Assim, o Padre Emygdio Fernandes, deputado e líder político da Serra da Raiz, conseguiu a transferência da sede do município para Serra da Raiz em 02/10/1884. Dando sequência as mudanças, a Lei nº 8 de 15/12/1892, colocou tanto Serra da Raiz como Caiçara como pertencentes à Guarabira. No começo dos anos 1900 novas lideranças foram surgindo, entre elas Antonio Florentino da Costa Miranda(Cel. Tota Miranda), Antonio Soares de Oliveira, Joaquim de Paula Carvalho, Miguel Pedro da Silva e outros. Com a sua habilidade, Tota Miranda apaziguou os ânimos com as lideranças da Serra da Raiz e em 07 de novembro de 1908, foi sancionada a Lei nº 309, emancipando Caiçara definitivamente.

 

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